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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Pontos sobre a metodologia científica

 "A ciência não corresponde a um mundo a descrever. Ela corresponde a um mundo a  construir.
                                               Bachelard


      A vontade e necessidade de indagar, recusar e aceitar algo ou alguma coisa conduz ao conhecimento dos objetos e das relações existentes. Conhecer, então, se situa na dimensão propriamente humana de existir. Saber separar as indagações do senso comum das indagações existente nas reflexões filosóficas significa um movimento radical na direção do pensamento sistemático. Assim, não podemos passar imunes às questões dos motivos , das razões e das causas dos nossos discursos serem desta ou daquela forma.Historicamente, a tradição filosófica apresenta momentos em que o humano se deparou em estágios do conhecer. Não consideramos que a forma de conhecer, tal como o pensamento mítico, seria uma forma precária, mas a que naquele momento histórico, detinha os instrumentos cabíveis. Dessa forma se formos avaliar a passagem do mito à razão, verificaremos que os pensadores usaram, principalmente, o método da comparação e contradição com os modos de conhecer para  erigirem seus novos postulados.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FUTEBOL,DINHEIRO E MULHERES



Triste história. Eliza Samudio subestimou as ameaças que o goleiro Bruno a fez, talvez por achar que a realização delas  não se cumprissem, fossem apenas para assustar. Mais nada. Caso tenha sido mesmo assassinada por Bruno, resta apenas o exemplo para outras mulheres: O golpe da barriga sempre tem um preço. Dependendo para quem se dá esta notícia, a coisa pode acabar em violência. Quem fica com a criança é a mãe e esta precisa de um "projeto " ético de vida, pois a vida daí para frente será diferente.As mulheres tem um papel fundamental para a descontrução da violência contra elas e seus filhos. Devem refletir estas desigualdades  históricas  e subverter nas várias dimensões da vida  a opressão. Não me interessa aqui, discutir o machismo desta sociedade descrevendo os privilégios sexuais dos homens.  Eles podem fazer e acontecer , estão sendo criados desta forma. Um bebezinho do sexo masculino já é estimulado, às vezes pela própria mãe, a ser o futuro machão. Interessa aqui discutir por que, nós mulheres, aceitamos as regras do jogo, reproduzindo-as de forma tão eficaz. Todos os dias os jornalecos populares estampam em suas páginas, corpos de mulheres para consumo, fatos acerca  das transas de celebidades do esporte, da música,etc. Descobriram o novo filão: engravidar destes caras e pegar uma grana  deles às custas da criança.  Mas, como fica a criança? exposta na mídia da pior forma possível. A maioria como filhos rejeitados pelos pais que exigem o exame de  DNA. Assim, foi com o filho de Edmundo, Mick jagger, Romário (vários pedidos de DNA). Não basta sair com homens endinheirados, é preciso garantir a pensão, fazer jus a grande oportunidade  garimpada. A maioria deles, homens "normais", não teriam esse monte de fêmeas sedentas atrás deles se não fosse o dinheiro! Os exemplos de "sucesso" de Luciana Gimenez e de tantas outras, serve de estímulo a  esta prática, que não é nova, porém recebe maior destaque a proporção que estes jogadores ficam mais ricos. É  preciso pensar nas crianças e não envolvê-las nesta lama de interesses. Bruno levou a sério demais esta história.  Por que tanta violência  para resolver  uma questão desta natureza? Viu como Mick Jagger estava  feliz assistindo ao jogo Brasil X Holanda, animadíssimo com o filho Lucas? Poderia ele,  Bruno,  ter dado uma chance a esta criança de ter um pai amigo. Afinal,  estas  mulheres não fizeram o filho sozinhas. No jogo de quem usa quem as ligações são perigosas...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

LOLITA:COMO A MÍDIA FORJA A SEXUALIDADE JUVENIL DE MERCADO

A professora de jornalismo e comunicação de massa na Universidade de Iowa (EUA), Meenakshi Gigi Durham, identifica os mitos criados pela mídia no tratamento da sexualidade, com efeitos nocivos para o desenvolvimento das meninas e a a liberdade das mulheres É o que chama de Efeito Lolita: cada vez mais a mídia atinge garotas mais jovens.

Por Marcos Aurélio Ruy*

No livro O Efeito Lolita: a sexualização das adolescentes pela mídia, e o que podemos fazer diante disso, Meenakshi Gigi Durham diz que é necessária a criação de grupos de discussão com participação efetiva dos jovens como forma de combater esse trabalho cruel feito pela mídia convencional.

É imposto às crianças e jovens um único padrão de beleza possível. E, como as imagens de garotas estampadas nas revistas são irreais, as meninas têm que comprar produtos que vão de cosméticos à cirurgias plásticas para atingir a perfeição de serem sexies e outros aspectos de suas vidas são relegados a segundo plano. A socialite Paris Hilton é a principal modelo a ser seguido assim como o grupo Pussycat Dolls.

Grifes como Victoria’s Secret e cantoras com Christina Aguilera, Britney Spears e Lady Gaga e suas similares pelo mundo afora apresentam como objetos sexuais. O nome Lolita deriva do livro homônimo do escritor russo Vladimir Nabokov: uma menina de 12 anos que é um tipo de garota especial, seduz sem ter consciência disso, passa a ter relacionamento amoroso com um adulto.

No livro Educar para a submissão, o descondicionamento da mulher, a pesquisadora italiana Elena Gianni Belotti, já havia mostrado como é um traço cultural a submissão da mulher. “A tradicional diferença de caracteres entre macho e fêmea não é devida a fatores congênitos, e sim, aos condicionamentos culturais a que o indivíduo é forçado no curso do seu desenvolvimento”.

No caso do Efeito Lolita, Durham também faz uma abordagem demonstrando como a natureza não dita as regras no comportamento humano, sendo que a mídia destinada aos jovens é em boa parte dirigida por mulheres mas sujeitam-se à vontade maior do deus mercado. “O verdadeiro problema com o Efeito Lolita é que as garotas não têm controle sobre essa situação.” Ele consiste “numa fantasia masculina adulta.” E a mídia usa essa fase de descobertas das adolescentes inculcando-lhes ainda mais insegurança, simplesmente para vender mais produtos.

Durham deseja fornecer as ferramentas necessárias para se reconhecer e reagir de modo proativo. “Examinar com rigor o ‘Efeito Lolita’ permitirá desvendar os mitos que compõem o espetáculo da sexualidade das garotas na cultura pop convencional.” É muito comum em revistas na atualidade “a ninfeta com rosto de criança e curvas voluptuosas que posa de modo provocativo em capas de revistas. A sexualização das meninas nos ambientes aparentemente seguros, não realistas e fantasiosos da mídia e da publicidade age com o fim de legitimar, e até de tornar glamuroso, o uso da sexualidade das garotas para fins comerciais”, afirma.

As imagens difundidas pela mídia não são reais nem realizáveis; “corrigidas” por softwares de computador, essas imagens criam perfeições inexistentes. Páginas sempre acompanhadas de anúncios de produtos de beleza, entre outros. A mídia é tão persistente que a confusão fica ainda maior na cabeça das adolescentes e o apelo já é feito para crianças de até 8 anos de idade. Segundo Durham há brinquedos nos Estados Unidos da “Dança do Poste (uma dança erótica usada em cabarés) para meninas de 1 a 2 anos.

As meninas como objeto sexual

Há programas na tevê brasileira que apresentam mulheres de biquínis fio-dental, mostrando seus atributos físicos. Existe até um quadro num programa considerado de comédia que é chamado “a miss beleza interior”, ou seja pessoas que fogem do padrão caucasiano de beleza. Outros, supostamente menos incautos, mostram crianças muito pequenas, na imensa maioria meninas, imitando seus ídolos com roupas provocativas e com dança sensual.

O apelo sexual é tão presente que um certo programa “para mulheres” de manhã, da Rede Globo, levou duas jovens a andarem nas ruas de São Paulo, uma loira outra morena. A loira estilo Barbie e a morena apresentada como um tipo mais brasileiro. Elas andavam pelas ruas e a repórter ia perguntando aos homens qual era mais atraente. Tudo para justificar uma “matéria jornalística” sobre como manter a cintura fina.

Recentemente, a Associação Americana de Psicologia (APA, sigla em inglês) apresentou um relatório no qual afirma que a exposição em revistas, televisão, videogames, videoclipes, filmes, letras de música e internet, são nocivos para o desenvolvimento de garotas adolescentes.

Segundo a APA isso pode levar “à perda de auto-estima, depressão e anorexia”, entre outros aspectos. A pesquisadora Meenakshi Gigi Durham mostra que na mídia convencional já “não se diferencia mais anúncios de matérias jornalísticas”.

Cinco mitos para perpetuar a dominação

Em seu livro, Durham detecta cinco mitos nos quais a mídia se baseia para vender “produtos de beleza” e para apresentar as garotas como seres sexualizados que existem apenas para favorecer o sexo oposto, sem vontade própria e, pior ainda, sem valorizar nenhum outro aspecto das garotas a não ser o de serem sexies, sempre com o objetivo de agradar ao “olhar masculino”. E o pior: rebaixam cada vez mais a idade das garotas.

O primeiro mito é Se você tem, exiba. Este mito valoriza apenas a aparência sexy das meninas. “Chelsea, de 4 anos, elogia a aparência hot da amiga”, diz a autora, e acrescenta Lexi, 9 anos, veste uma camiseta do Pussycat Dolls com os dizeres “você não gostaria que sua namorada fosse ‘hot’ como eu?”. O mito então vê como “hot” (sexy) como a feminilidade ideal. Até em programas da Disney essa temática aparece como em Hannah Montana, destinados à jovens pré-adolescentes.

Para Durham “as mensagens sobre sexo que as garotas têm recebido por intermédio desses veículos de mídia, exploram a consciência sexual e a ansiedade que caracterizam os anos de adolescência e pré-adolescência.”

Uma pesquisa publicada no ano passado no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissívei” apontou como emissoras mais assistidas a Rede Globo e a MTV, entre os jovens no período das 18 às 22 horas. Na pesquisa as duas emissoras de TV apresentam alto teor erótico nos seus programas e propagandas.

A volência sexual contra meninas

O segundo mito é Anatomia de uma deusa do sexo. O modelo visto como ideal para as garotas tem de ser magra, loira, cabelos longos, ao estilo da boneca Barbie. Para isso os publicitários chegam ao desplante de vender cremes para branqueamento de pele na África e na Ásia.

Também pretendem vender silicone para aumento do tamanho dos seios, entre diversos outros produtos. Segundo Durham até produtos proibidos nos países do Primeiro Mundo por ameaças à saúde, são vendidos no Terceiro Mundo. “As indústrias da moda, das dietas, dos exercícios físicos, dos cosméticos e da cirurgia plástica geram lucros anuais de bilhões de dólares”, afirma Durham, e confirma “a publicidade é a espinha dorsal da mídia”.

No terceiro mito As garotas bonitas, “em 2007, uma garota de 12 anos chamada Maddison Gabriel causou frisson no desfile de moda Gold Coast, da Austrália”. Um noticiário da emissora norte-americana ABC afirmou que Gold teve inspiração em Lolita. Um blogueiro observou, com cinismo indisfarçável: “crianças também conseguem ser ‘hot’”.

A cantora “Britney Spears, aos 16 anos, exibiu-se movimentando-se de modo ostensivo, vestida com um uniforme de escola católica e rabo de cavalo de menininha, em seu primeiro vídeo musical”. Para Durham a roupa clássica de Lolita é o ”leitmotiv predileto da pornografia infantil”.

Em maio a apresentadora Xuxa foi saudada pela mídia por aparecer ladeada por duas jovens gêmeas negras, de 14 anos, desfilando com pouca roupa e, segundo a mídia, tornou-se espécie de madrinha das meninas para tornarem-se modelos. Essa carreira tem sido apresentada em novelas e programas de tevê como ideal para as “meninas bonitas”. Só não falam dos problemas dessa profissão, nem de como as meninas que supostamente não são assim tão “bonitas” devem fazer? Resta a frustração apenas.

Ser violento é sexy é o quarto mito definido pela escritora. Em diversos filmes, a violência sexual contra garotas é apresentada como natural e punitiva. Nesses filmes tanto as garotas “boas” quanto as “más” são assassinadas com o mesmo prazer.
Uma série de filmes de terror, muito apreciada por jovens, Sexta-feira 1, apresenta as garotas que fazem sexo como libertinas que, portanto, devem ser severamente punidas, da mesma forma que os garotos viciados em drogas. O mais pesado, porém, se dá contra as meninas. É a mão de Deus punindo os pecadores.

“Praticamente a cada vez que há uma cena de relação sexual, em que são mostradas longas cenas com garotas adolescentes seminuas, o matador mascarado ataca.” O filme American Pie, apresentado como de libertação sexual, mostra as meninas como instrumentos do sexo e meros objetos a serem usados pelos meninos. No videogame da série Grand Theft Auto os jogadores têm oportunidade de estuprar, espancar e assassinar prostitutas.

Também peças publicitárias apresentam a violência contra mulher como sexy. “As imagens de violência contra as mulheres estão em toda a parte: nos outdoors, nas revistas, na televisão. Um anúncio da Dolce & Gabbana exibe um homem fazendo sexo com uma mulher, enquanto outros homens estão parados em pé, assistindo. A cena sugere um estupro sendo praticado por uma gangue. No anúncio, a modelo é bonita, tem olhar ardente e aparenta estar excitada. O estupro pela gangue é implicitamente justificado”, afirma Durham.

Outro anúncio da Cesare Paciotti “mostra um homem pisando sobre o rosto de uma bela mulher que usa batom vermelho.”

O quinto mito criado pela mída é do que os rapazes gostam. As revistas feitas para meninas invariavelmente dizem que os “rapazes sabem muito a respeito das garotas” e também sabem muito bem o que querem, ao contrário das garotas que não sabem nada, portanto, precisam aprender a satisfazer os desejos dos garotos... com a mídia.

As revistas “ensinam” as meninas a serem atraentes. Manchetes do tipo estampados pela revista norte-americana Seventeen mostram isso claramente: “Experimente esse visual, testado por garotas e aprovados por rapazes”, formam a essência desse mito.

Controlar a volúpia da mídia

“Temos de aprender a ter controle sobre a mídia e a usá-la de modo que melhore nossa vida, em vez de lhe dar total liberdade de ação tanto no espaço público quanto no privado”, afirma Durham. Ela diz ainda que o marketing das empresas está transformando as crianças pequenas em “iscas de sexo”.

Por isso, para ela “a sexualidade deve ser protegida, as pessoas devem ter controle sobre ela, livres de qualquer violência ou coerção. As garotas devem ser amparadas social e culturalmente, de modo que contribua como seu desenvolvimento sexual e o seu bem-estar.”

“O Efeito Lolita está presente nas revistas para adolescentes, nos programas de tevê, nos shopping centers, na pornografia e nas ruas. Às vezes é difícil distinguir uma imagem da outra”, afirma Durham. Ele age dentro de um contexto corporativo e comercial. Em razão disso, não há ética em jogo: “ele é movido pela busca do lucro”.

Principalmente porque a parte mais promíscua e violenta sobra para as meninas pobres que, sem dinheiro para comprar os tais produtos milagrosos e se tornarem “sexies”, tornam-se presas fáceis para a face mais cruel desse contexto: o tráfico sexual de crianças. O Departamento de Drogas e Crimes da ONU descreve o tráfico sexual de crianças como a atividade criminosa de maior expansão no mundo.

“Em certo sentido, o Efeito Lolita superestima e subestima o sexo, ao mesmo tempo: ele dá uma ênfase excessiva à necessidade das garotas de ser sexies, mas não leva o sexo suficientemente a sério a ponto de lhes fornecer informações adequadas sobre como lidar com ele na vida real”, diz Durham. Por isso, ela defende a inclusão do “uso crítico da mídia” na grade curricular “desde o período da pré-escola até o final do ensino secundário”.



* Marcos Aurélio Ruy é jornalista.



sexta-feira, 21 de maio de 2010

ATENÇÃO! CUIDADO COM AS PISTOLAS PARA USO DE COLA QUENTE

Minha posição no plebiscito sobre a questão do desarmamento foi a do voto pelo SIM, ou seja, não acredito numa  sociedade armada até os dentes como forma de se proteger daqueles que estariam portanto armas com intenções maléficas. Pensei naquele contexto que caso tivesse um filho almejado por  uma bala perdida desfechada por um marido ciumento contra a esposa "infiel", ou, por uma insignificante briga de vizinhos,  não teria na consciência o peso de ter contribuído para a posse de armas em mãos de pessoas despreparadas. Volto a esta questão porque ao ver um policial à paisana encostar uma pistola nas costas de um estudante a fim de "conter" uma manifestação legítima do movimento estudantil e  de assistir  pela televisão ao enterro de um morador morto porque fora confundido com um marginal ao segurar uma furadeira, me fez lembrar que meu voto pelo SIM estava correto. Armas são feias, mórbidas, existem no mundo  devido ao nosso desejo de opressão. Claro, usar qualquer arma para defender a própria vida ou a  de pessoas com as quais trocamos afetos, é outra coisa... Mas a proliferação de armas de calibres sofisticados é puro comércio  para manter guerras, chacinas e tudo que pertença a esfera da degeneração dos valores humanos.
Estou preocupada com a pistola de cola quente que tenho em casa... já pensou? Ah! mas  pelo que ouço pelas ruas algum incidente neste sentido seria apenas, um acidente. Mil desculpas seriam dadas em defesa daquele que confundisse a pistola para uso de cola quente com uma, quem  sabe, 9 milímetros!! Acabaria eu, sendo a vacilona, a que deu mole. Errar neste caso é problema da vítima, não do policial  treinado que deveria ter os instrumentos que atenuassem este tipo de "confusão". Para que servem simuladores ou outros dispositivos existentes nos treinamentos  destes profissionais? Eles são  efetivamente usados? Perguntar não ofende, só ajuda a refletir para que não sejamos tão inconsequentes  quando é com a vida do próximo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

                                 PRECIOSA - UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA

          (Precious)
EUA, 2009 / Drama
Direção: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'nique, Mariah Carey.



Crítica - Claireece Preciosa Jones tem 16 anos, é analfabeta e obesa. Ela frequenta a escola, mas é motivo de zombaria. Está grávida pela segunda vez, como resultado de um estupro de seu próprio pai. Sua mãe, em vez de a defender, acusa a garota de roubar o seu homem e a espanca. É um mundo cruel esse de Preciosa - mas um pingo de esperança a faz seguir em frente. Gabourey Sidibe, na sua composição da protagonista, é capaz de partir corações, sem nunca apelar para emoções ou lágrimas fáceis. O filme é o retrato de uma menina que tenta sobreviver a uma vida duríssima. A atriz, em seu primeiro papel, é capaz de transcender rótulos e criar uma personagem cujo sofrimento parece tão real quanto sua humanidade.

elenco:Gabourey Sidibe (Claireece "Preciosa" Jonas)
Mo'Nique (Mary)
Rodney Jackson (Carl)
Paula Patton (Sra. Rain)
Mariah Carey (Sra. Weiss)
Sherri Shepherd (Cornrows)
Lenny Kravitz (Enfermeiro John)
Stephanie Andujar (Rita)
Chyna Layne (Rhonda)
Amina Robinson (Jermaine)
Xosha Roquemore (Joann)
Angelic Zambrana (Consuelo)
Aunt Dot (Tootsie)
Nealla Gordon (Sra. Lichtenstein)
Barret Helms (Tom Cruise)
Kimberly Russell (Katherine)
Bill Sage (Sr. Wicher)
Sapphire

     Fui  com minha filha ao cine Roxy assistir Preciosa  e voltei de lá com a sensação de realidade em todo o meu olhar. Isto não me causou mal-estar, pelo contrário, limpou meus olhos de observações evasivas e superficiais. A personagem é marcante: obesa mórbida, pouco desenvolvida em termos de conhecimento escolar, vítima de violência física e psicológica, porém com um tom recuado que confunde-se com introspecção, tristeza e doçura. A saída para não pirar é sonhar, sonhar em ser estrela de cinema, ter um cara bonito só para ela, ter o amor da mãe...
         Preciosa reúne tanta tragédia em torno de si que não queremos acreditar que alguém possa suportar tamanha dor. Mas Preciosa mora ao lado, isto quando não se trata de nós mesmos, pois a sensação de desamparo eu também senti a vida inteira. Aquela vida é possível. Está presente em noticiários que insistimos em não mais ouvir, ler ou assistir pela TV porque causa asco e indignação. Aos que cultivam a amizade saibam que ela está presente como redentora e estimuladora  de todas as transformações. Lá, vocês verão a importância da escrita nos diários como exercício de catarse e atenuante do medo  até a descoberta da possibilidade de aprender. Já vou incluir este filme em minha videoteca.


sábado, 6 de fevereiro de 2010

CHOMSKY E AS ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:


1- A estratégica da distração.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.
A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Criar problemas, depois oferecer soluções.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.


4- A estratégica do deferido.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?
“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.


8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.
Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Fonte: Blog do Miro - http://altamiroborges.blogspot.com/









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