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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

                                 PRECIOSA - UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA

          (Precious)
EUA, 2009 / Drama
Direção: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'nique, Mariah Carey.



Crítica - Claireece Preciosa Jones tem 16 anos, é analfabeta e obesa. Ela frequenta a escola, mas é motivo de zombaria. Está grávida pela segunda vez, como resultado de um estupro de seu próprio pai. Sua mãe, em vez de a defender, acusa a garota de roubar o seu homem e a espanca. É um mundo cruel esse de Preciosa - mas um pingo de esperança a faz seguir em frente. Gabourey Sidibe, na sua composição da protagonista, é capaz de partir corações, sem nunca apelar para emoções ou lágrimas fáceis. O filme é o retrato de uma menina que tenta sobreviver a uma vida duríssima. A atriz, em seu primeiro papel, é capaz de transcender rótulos e criar uma personagem cujo sofrimento parece tão real quanto sua humanidade.

elenco:Gabourey Sidibe (Claireece "Preciosa" Jonas)
Mo'Nique (Mary)
Rodney Jackson (Carl)
Paula Patton (Sra. Rain)
Mariah Carey (Sra. Weiss)
Sherri Shepherd (Cornrows)
Lenny Kravitz (Enfermeiro John)
Stephanie Andujar (Rita)
Chyna Layne (Rhonda)
Amina Robinson (Jermaine)
Xosha Roquemore (Joann)
Angelic Zambrana (Consuelo)
Aunt Dot (Tootsie)
Nealla Gordon (Sra. Lichtenstein)
Barret Helms (Tom Cruise)
Kimberly Russell (Katherine)
Bill Sage (Sr. Wicher)
Sapphire

     Fui  com minha filha ao cine Roxy assistir Preciosa  e voltei de lá com a sensação de realidade em todo o meu olhar. Isto não me causou mal-estar, pelo contrário, limpou meus olhos de observações evasivas e superficiais. A personagem é marcante: obesa mórbida, pouco desenvolvida em termos de conhecimento escolar, vítima de violência física e psicológica, porém com um tom recuado que confunde-se com introspecção, tristeza e doçura. A saída para não pirar é sonhar, sonhar em ser estrela de cinema, ter um cara bonito só para ela, ter o amor da mãe...
         Preciosa reúne tanta tragédia em torno de si que não queremos acreditar que alguém possa suportar tamanha dor. Mas Preciosa mora ao lado, isto quando não se trata de nós mesmos, pois a sensação de desamparo eu também senti a vida inteira. Aquela vida é possível. Está presente em noticiários que insistimos em não mais ouvir, ler ou assistir pela TV porque causa asco e indignação. Aos que cultivam a amizade saibam que ela está presente como redentora e estimuladora  de todas as transformações. Lá, vocês verão a importância da escrita nos diários como exercício de catarse e atenuante do medo  até a descoberta da possibilidade de aprender. Já vou incluir este filme em minha videoteca.


sábado, 6 de fevereiro de 2010

CHOMSKY E AS ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:


1- A estratégica da distração.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.
A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Criar problemas, depois oferecer soluções.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.


4- A estratégica do deferido.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?
“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.


8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.
Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Fonte: Blog do Miro - http://altamiroborges.blogspot.com/









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