Minha posição no plebiscito sobre a questão do desarmamento foi a do voto pelo SIM, ou seja, não acredito numa sociedade armada até os dentes como forma de se proteger daqueles que estariam portanto armas com intenções maléficas. Pensei naquele contexto que caso tivesse um filho almejado por uma bala perdida desfechada por um marido ciumento contra a esposa "infiel", ou, por uma insignificante briga de vizinhos, não teria na consciência o peso de ter contribuído para a posse de armas em mãos de pessoas despreparadas. Volto a esta questão porque ao ver um policial à paisana encostar uma pistola nas costas de um estudante a fim de "conter" uma manifestação legítima do movimento estudantil e de assistir pela televisão ao enterro de um morador morto porque fora confundido com um marginal ao segurar uma furadeira, me fez lembrar que meu voto pelo SIM estava correto. Armas são feias, mórbidas, existem no mundo devido ao nosso desejo de opressão. Claro, usar qualquer arma para defender a própria vida ou a de pessoas com as quais trocamos afetos, é outra coisa... Mas a proliferação de armas de calibres sofisticados é puro comércio para manter guerras, chacinas e tudo que pertença a esfera da degeneração dos valores humanos.
Estou preocupada com a pistola de cola quente que tenho em casa... já pensou? Ah! mas pelo que ouço pelas ruas algum incidente neste sentido seria apenas, um acidente. Mil desculpas seriam dadas em defesa daquele que confundisse a pistola para uso de cola quente com uma, quem sabe, 9 milímetros!! Acabaria eu, sendo a vacilona, a que deu mole. Errar neste caso é problema da vítima, não do policial treinado que deveria ter os instrumentos que atenuassem este tipo de "confusão". Para que servem simuladores ou outros dispositivos existentes nos treinamentos destes profissionais? Eles são efetivamente usados? Perguntar não ofende, só ajuda a refletir para que não sejamos tão inconsequentes quando é com a vida do próximo.
